No segundo filme, que lidera as bilheterias brasileiras
desde que foi lançado, os Guardiões são contratados pelos Soberanos para
protegerem baterias poderosas, ameaçadas de roubo. Como pagamento, o grupo
recebe Nebula (Karen Gillan) como prisioneira, mas, quando vão partir, acabam
perseguidos por causa de Rocket (Bradley Cooper), que roubou algumas das
baterias.
Depois de fugirem de diversas naves dos Soberanos, eles são
salvos por Ego (Kurt Russell), um homem que é uma extensão de um planeta vivo e
que afirma ser o pai de Peter Quill (Chris Pratt), que logo é convencido a
conhecer o lugar onde ele vive. Acompanhado de Gamora (Zoe Saldana) e Drax
(Dave Bautista), eles seguem para o planeta Ego, habitado apenas por sua
extensão humana e por Mantis (Pom Klementieff), uma alienígena que o ajuda a
dormir.
Enquanto isso, Rocket e Groot (Vin Diesel), que ficam
vigiando Nebula, são abordados pelo bando de saqueadores de Yondu (Michael
Rooker), que é vítima de um motim entre os companheiros. Eles conseguem se unir
e vão até o planeta, quando Ego revela os desejos que carrega para o filho.
O primeiro ponto que salta aos olhos em "Guardiões da
Galáxia Vol. 2" é a estética que, se já era arrojada no primeiro longa,
volta ainda mais inspirada, marcada por cores fortes e efeitos especiais bem
resolvidos e coerentes com a construção daquele universo. Direção e edição
também se mostram grandes acertos do longa, imprimindo um ritmo frenético
quando necessário, como nas cenas de ação, e fazendo um equilíbrio, também, com
os momentos que desenvolvem a narrativa.
Em relação ao roteiro, a trama se mostra, de um modo geral,
construída corretamente e com todos os elementos necessários para um bom
divertimento. O filme se mostra, desde o início, uma história sobre família,
que está presente na forma como os Guardiões se relacionam mas, também, nos
mistérios que cercam a paternidade de Peter e a relação dele com Yondu. Nesse
aspecto, o longa, de um modo geral, acerta, apesar de algumas soluções óbvias
do roteiro.
Assim como no primeiro filme, "Guardiões da Galáxia
Vol. 2" utiliza um recurso precioso e bem característico: a música.
Novamente, a trilha sonora é inserida como um recurso narrativo, que ajuda a
conduzir e, em certa medida, a explicar a trama. O principal exemplo disso é a
canção "Father and Son", de Cat Stevens, que praticamente explica o conceito do longa.
Sem exceção, as músicas dão um toque especial e "casam" bem com as
demais características do filme.
Sobre o roteiro, outras duas ressalvas precisam ser feitas.
A primeira é em relação ao humor do filme, marca característica da Marvel.
Aqui, no entanto, o alívio cômico dos diálogos soa exagerado em alguns
momentos, que, apesar de não chegar a cansar, acaba banalizando o recurso. O
segundo ponto é que há, no início, uma certa demora para a história engrenar,
criando uma pequena "barriga", que também não compromete o andamento
do filme.
O longa é bem sucedido em reforçar a construção das relações
entre os personagens. O "sentimento não verbalizado" entre Peter e
Gamora e a cumplicidade entre Yondu e Rocket, bem como o sentimento de proteção
que o grupo nutre por Groot são alguns dos exemplos que, além de revelarem
complexidades dos personagens, também criam bons conflitos para a narrativa.
Com o segundo filme, mesmo que outros heróis já tenham tido
mais histórias desenvolvidas, "Guardiões da Galáxia" alcança o feito
de ter a melhor série de longas feitos até agora pela Marvel. De qualidade mais
uniforme, a franquia vem se mostrando especial e pode acabar sendo o grande
destaque do universo que o estúdio está construindo nos cinemas.
GUARDIÕES DA GALÁXIA VOL. 2
COTAÇÃO: ★★★★ (ótimo)


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